Quando pensamos na independência do Brasil, proclamada em 7 de setembro de 1822, temos de retroceder no tempo para conhecer alguns fatos que muito influenciaram no seu processo histórico até a sua concretização. Entre esses fatos, há de se destacar a chegada da Família Real Portuguesa ao Brasil em 1808.

Mas, por que a Corte portuguesa veio para o Brasil, afinal de contas? A causa principal está nas guerras napoleônicas. Napoleão Bonaparte, imperador da França entre 1801 e 1815, foi um líder político preocupado com conquistas territoriais no continente europeu. Para isso, travou inúmeras batalhas e invadiu muitos países, com exceção da Inglaterra. Isso se explica, porque a Inglaterra estava localizada numa ilha e possuía uma excelente marinha. Napoleão era um ótimo estrategista em lutas por terra, portanto, os ingleses eram seus maiores inimigos. Numa tentativa de liquidar com o comércio inglês no continente, Napoleão decretou o Bloqueio Continental em 1806, proibindo todos os países dominados pela França de fazer comércio com os ingleses. Enquanto isso, Portugal procurava manter-se neutro diante dos conflitos europeus. Porém, aliando-se à Espanha, o imperador francês decidiu invadir Portugal. Sem condições para enfrentar militarmente o inimigo e com o apoio do governo inglês, o Príncipe Regente D. João resolveu viajar para o Brasil, acompanhado de mais ou menos 15.000 pessoas. Isso está parecendo uma fuga? Pois foi o que aconteceu mesmo! A atitude de D. João, na época, foi muito criticada, porque o comentário era de que o príncipe abandonava o país aos inimigos para salvar a própria pele. Na verdade, a Inglaterra, ao ajudar os portugueses a transferir a sede do governo para o Brasil, estava planejando tirar proveito do comércio colonial, até então monopólio de Portugal.

A Família Real chegou ao Brasil em 1808, primeiramente na Bahia e depois no Rio de Janeiro, onde permaneceu. A primeira medida tomada por D. João no Brasil foi a decretação da abertura dos portos brasileiros às nações amigas. Assim ficava extinto o monopólio do comércio brasileiro, uma das bases do sistema colonial aqui estabelecido. A Inglaterra foi a nação que mais se beneficiou com isso, pois, a partir daí, seus produtos passaram a ser vendidos no Brasil pagando taxas alfandegárias muito baixas.

Outras medidas foram tomadas por D. João, tais como: a criação do Banco do Brasil, a instalação de Tribunais de Justiça, a elevação do Brasil e Reino Unido a Portugal e Algarves, a fundação da Imprensa Régia e da Academia Militar, a criação da Fábrica de Pólvora, a Fundação de escolas de Medicina, a criação do Jardim Botânico e da Biblioteca Real. A cidade do Rio de Janeiro foi a que mais se beneficiou com as realizações de D. João no Brasil, pois era a capital do País.

Aclamação do Rei Dom João VI do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, no Rio de Janeiro.
Aclamação do Rei Dom João VI do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, no Rio de Janeiro.

D. João foi coroado como rei do Brasil e de Portugal com o título de D. João VI em 1816, após a morte de sua mãe, D. Maria I. Ele permaneceu no País até 1821, quando voltou para Portugal para tentar solucionar a Rebelião do Porto, de caráter liberal. A partir daí, o governo do Brasil ficou sob o comando de seu filho, o Príncipe Regente D. Pedro.

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