O governo de Portugal via a colônia brasileira com “olhos exploradores”, uma vez que sua principal meta era extrair ao máximo as nossas riquezas sem planejar sua reposição e sem a menor preocupação com perdas e danos que a produção da colônia pudesse ter. Portugal visava à obtenção de lucros e, para isso, preocupou-se em exportar as matérias-primas brasileiras (por ex.: o pau-brasil, a cana-de-açúcar) e atender ao mercado externo. Ninguém, por parte da metrópole portuguesa, estava preocupado em preencher as necessidades da colônia (por ex.: saciar a fome da população).

Para atingir seus objetivos, Portugal submeteu o Brasil ao que ficou conhecido como pacto colonial. Por esse pacto, a colônia não podia produzir nada que concorresse com a metrópole e só podia fazer comércio com ela. Ficava estabelecida uma das regras básicas, talvez a principal, do pacto colonial: o monopólio de Portugal sobre o Brasil. A extração do pau-brasil, a lavoura canavieira e seu comércio eram exclusivamente de Portugal.

Segundo o esquema do pacto colonial, a colônia era uma fornecedora de matérias-primas e compradora de produtos, sempre visando o enriquecimento da metrópole.
Segundo o esquema do pacto colonial, a colônia era uma fornecedora de matérias-primas e compradora de produtos, sempre visando o enriquecimento da metrópole.

Mas o domínio político-econômico de Portugal também estava determinado por outros fundamentos:

  • a monocultura, produção agrícola de um só produto, dirigida ao mercado externo (por ex.: a cana-de-açúcar);
  • o latifúndio, grande propriedade de terra de um único dono (por ex.: o senhor de engenho);
  • a escravidão, a mão de obra do escravo negro africano no trabalho braçal da colônia, que pouco custava para a metrópole.

A escravidão negra no Brasil

Uma das principais características da colonização do Brasil pelos portugueses foi a escravidão. Esse regime de trabalho fora largamente utilizado pelos povos da Antiguidade como forma de dominação sobre os povos vencidos em guerras ou como forma de pagamento de dívidas não pagas. Nos tempos modernos, a escravidão foi reativada como regime de trabalho forçado pelos países que mantiveram colônias pelo mundo.

Portugal consolidou a escravidão negra no Brasil a partir de 1558, quando o terceiro governador-geral, Mem de Sá, trouxe os primeiros escravos africanos para a colônia. E a escravidão só terminou oficialmente no Brasil muito tempo depois, em fins do Segundo Reinado, no ano de 1888, com a assinatura da Lei Áurea.

Mas, como os negros africanos chegavam ao Brasil? Eles eram aprisionados na África e embarcados nos navios como se fossem mercadorias, “peças”, como eram chamados, pelos colonizadores. A eles não se dava a menor possibilidade de escolha, se queriam ou não viajar para uma terra estranha, e muitas famílias era separadas, e seus membros tinham destinos diferentes. Esse comércio, que foi praticado durante séculos e sustentou o sistema colonial, foi chamado de tráfico negreiro. Os navios onde os negros eram transportados chamavam-se navios negreiros ou tumbeiros, porque, devido às péssimas condições das viagens, muitos morriam no caminho, então, os navios mais pareciam tumbas ou sepulturas pelo oceano.

Rotas de tráfico negreiro.
Rotas de tráfico negreiro.

Ao chegar à Colônia, os negros eram levados às feiras ou aos mercados onde eram vendidos. Iam para as regiões açucareiras trabalhar nos engenhos ou para as regiões mineradoras. Nas fazendas ou nas minas, os escravos trabalhavam sob a fiscalização de um feitor. Caso desobedecessem alguma ordem, ou mesmo sob a cisma do feitor, eram castigados com chicotadas, torturas, prisão e a pena de morte.

Alguns escravos reagiam contra tamanha violência e crueldade: fugiam em busca de liberdade, sofriam de depressão e frequentemente morriam por causa dos castigos ou por causa da depressão.

Os escravos que conseguiam escapar das fazendas ou das minas, muitas vezes, fundavam comunidades para se proteger contra possíveis perseguições. Os homens encarregados pelos senhores de terras para perseguir e aprisionar negros fugitivos era os “capitães do mato”. Essa tarefa era executada por bandeirantes especialmente contratados pelos senhores para aquele fim.

As comunidades organizadas pelos escravos fugitivos chamavam-se quilombos. O maior e mais famoso foi o Quilombo dos Palmares, localizado em Alagoas. Seu chefe era Zumbi, e era ele quem comandava os seus companheiros nas lutas contra os brancos. Porém, apesar de toda a resistência, o Quilombo dos Palmares foi destruído em fins do século XVII por uma expedição comandada pelo bandeirante Domingos Jorge Velho, e Zumbi, preso e morto.

Os senhores de escravos achavam que, matando Zumbi, a ideia de liberdade também estaria acabada. Enganaram-se, é lógico, pois Zumbi tornou-se um símbolo de luta contra a violência e a escravidão até hoje.

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