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A diversidade de seres vivos

A diversidade de seres vivos variou ao longo do tempo geológico em nosso planeta. Entender essa variação e conhecer a biodiversidade atual sempre foi um desafio para os cientistas.

Diversas propostas já surgiram procurando estabelecer uma ordem na enorme diversidade de organismos, classificando-os de acordo com suas semelhanças.

Charles Darwin.
Charles Darwin.
Alfred Russel Wallace.
Alfred Russel Wallace.

Desde a Antiguidade existe uma linha de pensamento afirmando que os seres vivos são imutáveis, ou seja, que eles surgem com a forma atual e não mudam ao longo do tempo, o que é conhecido como fixismo. Essa interpretação, apesar de ainda ser aceita por alguns segmentos da cultura humana, começou a mudar em 1858 quando dois pesquisadores ingleses, Charles Darwin (1809-1882) e Alfred Russel Wallace (1823-1913), atuando de forma independente, revolucionaram a Biologia com a divulgação de ideias sobre evolução por seleção natural. Essas ideias são aceitas até hoje pela imensa maioria da comunidade científica e será com base nelas que analisaremos os seres vivos.

Os sistemas de classificação que não se baseiam em relações de parentesco evolutivo entre os grupos de seres vivos são considerados artificiais, enquanto os sistemas que procuram compreender essa relação são chamados naturais.

O ramo da Biologia que trata da descrição, da nomenclatura e da classificação dos seres vivos denomina-se taxonomia.

Um grande marco na classificação dos seres vivos foi estabelecido a partir de 1735, com os trabalhos do médico e professor sueco Carl von Linné (1707-1778), cujo nome em português é Lineu. Por meio do livro Systema Naturae ele propôs um sistema de classificação dos seres vivos que, embora artificial, é empregado até hoje, com modificações.

Lineu e os demais naturalistas da época acreditavam que os organismos eram criados por uma divindade com sua forma definitiva e que o número dos diferentes tipos de organismos era constante desde a criação do mundo.

No sistema de Lineu a unidade básica da classificação é a espécie. Espécies semelhantes são agrupadas em um mesmo gênero. Gêneros semelhantes são agrupados em ordens, que são agrupadas em classes, que são agrupadas em filos ou divisões, que são agrupados em reinos.

Uma das modificações importantes no sistema de Lineu refere-se à maneira como se interpretam as relações entre os seres vivos a partir da aceitação das ideias evolutivas. Desde então a classificação dos seres vivos passou a ter um enfoque evolutivo.

Os sistemas atuais consideram um conjunto de caracteres relevantes, os quais permitem propor e testar hipóteses de relações de parentesco evolutivo e construir a filogenia ou filogênese dos diferentes grupos de seres vivos, ou seja, estabelecer as principais linhas de evolução desses grupos.

A área da Biologia que se preocupa com a taxonomia e com a compreensão da filogenia dos grupos é a Sistemática.

Atualmente, são sete categorias obrigatórias hierárquicas constantes dos Códigos Internacionais de Nomenclatura Zoológica (referente aos animais) e de Nomenclatura Botânica (referente às plantas):

Reino → Filo (em Zoologia) ou Divisão (em Botânica, embora também se aceite Filo) → Classe → Ordem → Família → Gênero → Espécie.

Além dessas, muitas vezes utilizam-se categorias intermediárias e não-obrigatórias, como subfilo, infraclasse, superordem, subordem, superfamília, subfamília e subgênero.

Outra categoria taxonômica não-obrigatória e que é inferior à espécie e a subespécie.

Lineu estabeleceu também regras de nomenclatura que são utilizadas até hoje, embora com algumas modificações.

Vejamos a regra para se escrever o nome da espécie e do gênero: o nome da espécie é sempre duplo, formado por duas palavras escritas em itálico ou sublinhadas. A primeira palavra corresponde ao nome do gênero e sempre deve ser escrito com letra inicial maiúscula. A segunda palavra corresponde ao epíteto específico – palavra que especifica o gênero. Esta deve ser escrita sempre com inicial minúscula.

Nome científico da espécie humana.
Nome científico da espécie humana.

Como exemplo, vamos escrever o nome científico da espécie humana. O gênero ao qual pertence a espécie humana é denominado Homo. O epíteto específico é sapiens. Assim, o nome da espécie é Homo sapiens.

As regras de nomenclatura facilitam a comunicação entre pessoas de diferentes nacionalidades e idiomas. A espécie humana será sempre Homo sapiens em português, inglês, alemão, espanhol etc.

Vamos, agora classificar a espécie do cão doméstico, desde a categoria mais geral, a de reino até a mais específica, a de espécie:

Esquema de classificação do cão (Canis familiaris).
Esquema de classificação do cão (Canis familiaris).
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