Tecidos: objeto de estudo da Histologia

Esquema de tecidos humanos com exemplos de alguns deles e sua localização no corpo.
Esquema de tecidos humanos com exemplos de alguns deles e sua localização no corpo.

Tecidos são conjuntos de células que atuam de maneira integrada, desempenhando determinadas funções. Alguns tecidos são formados por células que possuem a mesma estrutura; outros são formados por células que têm diferentes formas e funções, mais que juntas colaboram na realização de uma função geral maior.

O ramo da Biologia que estuda os tecidos e as células que os formam é a Histologia (histo = tecido; logia = estudo).

Os tecidos animais podem ser classificados em quatro tipos principais:

  • tecidos epiteliais;
  • tecidos conjuntivos;
  • tecidos musculares;
  • tecido nervoso;

Tecidos epiteliais

Os tecidos epiteliais, ou simplesmente epitélios, são formas por células justaposta, firmemente unidas entre si, com pouca substâncias entre elas (substâncias intercelular).

Podem ser organizados de um dos três folhetos germinativos do embrião:

  • do ectoderma originam-se, por exemplo, a epiderme e os epitélios do nariz, da boca e do ânus;
  • do mesoderma origina-se o endotélio, epitélio que reveste os vasos sanguíneos;
  • do endoderma originam-se, por exemplo, os epitélios que revestem o tubo digestório (exceto a boca e o ânus) e a árvore respiratória.

Todos os epitélios encontram-se assentados sobre tecido conjuntivo. Entre o tecido conjuntivo e as células epiteliais existe uma estrutura chamada lâmina basal, produzida pelas células epiteliais e constituídas principalmente de colágeno associado a glicoproteínas.

No tecido conjuntivo, logo abaixo da lâmina basal, pode ocorre um acúmulo de fibras reticulares, formando, juntamente com a lâmina, a membrana basal.

Esquema de segmento de pele humana.
Esquema de segmento de pele humana.

Não há vaso sanguíneos nos tecidos epiteliais. Assim, o oxigênios e os nutrientes chegam as células desse tecido por difusão, uma vez que essas substancias saem de capilares localizados no tecido conjuntivo subjacente aos epitélios.

Especializações da células epiteliais

As células epiteliais apresentam dois pólos: um voltado para uma superfície livre (pólo apical) e outro voltado para o tecido conjuntivo (pólo basal).

No pólo apical de certas células epiteliais podem existis diferenciações relacionadas à função que os epitélios desempenham. As principais diferenciações são os cílios e os microvilos (ou microvilosidade).

Esquema da superfície de uma célula epitelial do intestino delgado, mostrando alguns microvilos com base em observações ao microscópio eletrônico.
Esquema da superfície de uma célula epitelial do intestino delgado, mostrando alguns microvilos com base em observações ao microscópio eletrônico.

Os epitélios que apresentam células ciliadas são genericamente chamados epitélios ciliados. Esse tipo de epitélio é encontrado, por exemplo, na traqueia, onde o batimento ciliar desloca para o exterior do corpo muco com bactérias e partículas de poeira que aderiram a ele. É dessa forma que são eliminados elementos estranhos que poderiam penetrar nos pulmões.

Os microvilos ocorrem em epitélios que realizam função de absorção, como o que reveste o intestino.

Os microvilos são projeções da superfície da célula em forma de dedos de luva, o que aumenta a área superficial da célula e, consequentemente, sua área de absorção.

Os tecidos epiteliais, especialmente os de revestimento, são altamente resistentes à tração e suas células dificilmente se separam umas das outras. As células epiteliais apresentam-se envoltas por uma camada glicoproteica com função adesiva (glicocálix), que contribui para a união entre elas. Além disso, existem estruturas especializadas que participam desse processo de adesão.

As principais estruturas de adesão são: zônula de oclusão, zônula de adesão, desmossomos e junções do tipo gap (nexos).

Na zônula de oclusão há junção entre as camadas mais externas da membrana plasmática de células adjacentes, estabelecendo uma barreira à entrada de macromoléculas no espaço entre células vizinhas. Dessa forma, as macromoléculas só podem penetrar passando pelo interior das células, o que possibilita o controle do que entra nas diferentes estruturas revestidas por epitélios.

Na zônula de adesão, células vizinhas estão firmemente unidas por uma substância intercelular adesiva, maus suas membranas plasmáticas não chegam a se tocar. Na face citoplasmática dessas membranas existe acúmulo de material denso, no qual se inserem microfilamentos de actina, conferindo maior resistência a essa região.

Os desmossomos correspondem a “discos” de adesão entre as células. São formados por duas partes que se unem, sendo uma delas localizada em uma célula e a outra, na célula vizinha. Em cada célula formam-se discos de material proteico denso (placa citoplasmática), para onde convergem filamentos de queratina que podem se estender até a placa citoplasmática de outro desmossomo da mesma célula. Como resultado, a força aplicada a um desmossomo pode ser transmitida a outros da mesma célula, aumentando ainda mais a eficiência de adesão. No espaço intercelular surgem filamentos que atuam como estruturas adesivas entre essas placas citoplasmáticas de células adjacentes.

Além de unidas entre si, as células epiteliais aderem à lâmina basal por meio de hemidesmossomos, cuja morfologia é semelhante à de meio desmossomos.

Esquema mostrando alguns dos tipos de estruturas de adesão das células epiteliais.
Esquema mostrando alguns dos tipos de estruturas de adesão das células epiteliais.

Nas junções do tipo gap (ou nexos) as membranas plasmáticas de células adjacentes apresentam grupos de proteínas específicas, que se dispõem formando canais que atravessam as camadas de lipídios das membranas. Esses grupos de proteínas tocam-se no espaço intercelular, estabelecendo canais de comunicação entre as células.

Esquema tridimensional da junção do tipo gap.
Esquema tridimensional da junção do tipo gap.

Diferenciações da membrana plasmática.Classificação dos tecidos epiteliais

Com base em sua estrutura e em sua função, os tecidos epiteliais podem ser classificados em dois grandes grupos: os de revestimento e os glandulares.

Tecidos epiteliais de revestimento

Os tecidos epiteliais de revestimento podem ser classificados quanto:

  • ao numero de camadas celulares:
    • simples: uma só camada de células;
    • estratificado: Várias camadas de células;
    • pseudo-estratificado: uma camada de células com núcleos em alturas distintas, dando a falsa impressão de ser formado por mais de uma camada;
  • à forma das células presentes na camada superficial:
    • pavimentoso: sua células são achatadas;
    • cúbico: formado por células cúbicas;
    • prismático: suas células são altas, em forma de prisma.

A tabela a seguir ilustra e descreve brevemente os principais tipos de epitélio de revestimento.

Classificação dos epitélios
Estrutura e funções

Esquema do epitélio simples pavimentoso.
Esquema do epitélio simples pavimentoso.
Formado por células achatadas e dispostas em uma única camada. Ocorre em locais do corpo onde a proteção mecânica não é fundamental. E um epitélio que permite passagem de substâncias, sendo encontrado nos alvéolos pulmonares (onde ocorrem as trocas gasosas) e revestindo os vasos sanguíneos e linfáticos. Nesses vasos recebe o nome de endotélio.

Esquema do epitélio simples cuboide (ou cúbico).
Esquema do epitélio simples cuboide (ou cúbico).
Formado por uma só camada de células cúbicas. Ocorre nos túbulos renais, tendo a função básica de absorção de substâncias úteis presentes na urina, devolvendo-as para o sangue. Na superfície livre das células existem invaginações que atuam aumentando a superfície de absorção, de modo semelhante ao que ocorre com as microvilosidades.

Esquema do epitélio simples prismático (ou colunar).
Esquema do epitélio simples prismático (ou colunar).
Formado por uma só camada de células altas, prismáticas. Ocorre revestindo o estômago e os intestinos. E comum a presença de glândulas mucosas unicelulares. Atua na digestão e na absorção de alimentos. Nos intestinos, a superfície livre das células é rica em microvilosidades, que aumentam a área de absorção.

Esquema do epitélio pseudo-estratificado pavimentoso.
Esquema do epitélio pseudo-estratificado pavimentoso.
Formado por apenas uma camada de células com alturas diferentes, dando falso (pseudo) aspecto de estratificado (ou seja, o falso aspecto de ser formado por mais de uma camada de células). Ocorre na cavidade nasal, na traqueia e nos brônquios, onde possui cílios e glândulas mucosas unicelulares. O muco aglutina partículas estranhas que penetram no corpo pelas vias aéreas, e os cílios transportam essas partículas para fora.

Esquema do epitélio estratificado pavimentoso.
Esquema do epitélio estratificado pavimentoso.
Formado por várias camadas de células, das quais apenas as células das camadas mais inferiores possuem capacidade de divisão celular (mitose). A função desse epitélio é basicamente proteção mecânica e proteção contra a perda de água. Ocorre em áreas de atrito, como na pele e nas mucosas bucal e vaginal.

Esquema do epitélio estratificado de transição.
Esquema do epitélio estratificado de transição.
Modificação especial do epitélio estratificado pavimentoso, em que o número de camadas e suas formas variam de acordo com a distensão do órgão. Ocorre revestindo a bexiga urinária.

Tecido epitelial glandular

As células do tecido epitelial glandular produzem substâncias chamadas secreções, que podem ser utilizadas em outras partes do corpo ou eliminadas do organismo. Essas secreções podem ser mucosas, quando espessas e ricas em muco, ou serosas, quando fluidas e ricas em proteínas. Podem também ser mistas, quando ocorrem secreções mucosas e serosas juntas.

As glândulas podem se unicelulares, como a glândula caliciforme (que ocorre, por exemplo, no epitélio), ou multicelulares, como a maioria das glândulas.

Esquema de corte longitudinal de glândula caliciforme (unicelular). A secreção que produz é mucosa (à esquerda). Esquema de corte longitudinal em glândula salivar (multicelular). A secreção que produz é mista: mucosa e serosa (à direita).
Esquema de corte longitudinal de glândula caliciforme (unicelular). A secreção que produz é mucosa (à esquerda). Esquema de corte longitudinal em glândula salivar (multicelular). A secreção que produz é mista: mucosa e serosa (à direita).

Há três tipos de glândulas multicelular:

  • Glândulas exócrinas: apresentam a porção secretora associada a dutos que lançam suas secreções para fora do corpo (como as glândulas sudoríparas, lacrimais. Mamárias e sebáceas) ou para o interior de cavidades do corpo (como as glândulas salivares);
  • Glândulas endócrinas: não apresentam dutos as associados à porção secretora. As secreções são denominados hormônios e lançadas diretamente nos vasos sanguíneos ou linfáticos. Exemplo: hipófise, glândula tireóidea, glândula paratireoideas e glândulas adrenais;
  • Glândulas mistas: apresentam regiões endócrinas e exócrinas ao mesmo tempo. É o caso do pâncreas, cuja porção exócrina secreta enzimas digestivas que são lançadas no duodeno, enquanto a porção endócrina é responsável pela secreção dos hormônios insulina e glucagon. Esses hormônios atuam, respectivamente, na redução e no aumento dos níveis de glicose no sangue.
Esquema comparativo da formação das glândulas exócrinas e endócrinas.
Esquema comparativo da formação das glândulas exócrinas e endócrinas.

Tecidos conjuntivos

Os tecidos conjuntivos têm origem mesodérmica. Caracterizam-se morfologicamente por apresentarem diversos tipos de células imersas em grande quantidade de material extracelular ou matriz, que é sintetizado pelas próprias células do tecido.

A substância extracelular é constituída por uma parte não-estruturada, chamada substância fundamental amorfa (SFA) ou simplesmente substância fundamental, e uma parte fibrosa, de natureza proteica, que são as fibras do conjuntivo.

Os diferentes tipos de tecidos conjuntivo estão amplamente distribuídos pelo corpo, podendo desempenhar funções de preenchimento de espaço entre órgão, função de sustentação, função de defesa e função de nutrição.

A classificação desses tecidos baseia-se na composição de suas células e na proporção relativa entre os elementos da matriz extracelular.

Os principais tipos de tecidos conjuntivos são: frouxo, denso, adiposo, reticular, ou hemocitopoético, cartilaginoso e ósseo.

Esquema mostrando alguns dos tipos de tecido conjuntivo.
Esquema mostrando alguns dos tipos de tecido conjuntivo.

Tecido conjuntivo frouxo

O tecido conjuntivo frouxo preenche espaços não-ocupados por outros tecidos, apoia e nutre células epiteliais, envolvendo nervos, músculos e vasos sanguíneos e linfáticos. Além disso, faz parte da estrutura de muitos órgãos e desempenha importante papel em processos de cicatrização.

É o tecido de maior distribuição no corpo humano. Sua substância fundamental é viscosa e muito hidratada. Essas viscosidade representa, de certa forma, uma barreira contra a penetração de elementos estranhos no tecido.

As fibras desse tecido estão frouxamente unidas entre si e podem ser de três tipos: elásticas, reticulares e colágenas.

As fibras elásticas são formadas por proteínas fibrosas associadas à elastina e recebem esse nome em função de sua boa elasticidade.

As fibras colágenas são formadas pela proteína filamentosa colágeno e são muito resistentes à tração.

As fibras reticulares também são formadas por colágeno, mas são mais finas e podem se ramificar. Recebem esse nome porque se entrelaçam como se fossem um retículo.

Os principais tipos celulares encontrados no tecido conjuntivo são os fibroblastos, que produzem as fibras e a substância fundamental, e os macrófagos, células com grande capacidade de fagocitose, que capturam e digerem bactérias e outros elementos estranhos ao tecido.

Tecido conjuntivo denso

No tecido conjuntivo denso há predomínio de fibroblastos e de fibras colágenas. Dependendo do modo de organização dessas fibras, esse tecido pode ser classificado em:

Não-modelado: formado por fibras colágenas dispostas em feixes que não apresentam orientação fixa; um exemplo é a derme, tecido conjuntivo da pele;

Modelado: formado por fibras colágenas dispostas em feixes com orientação fixa, dando ao tecido características de maior resistência à tensão do que a dos tecidos não-modelados e frouxo; ocorre nos tendões.

Tecido conjuntivo adiposo

Nesse tecido a substância intercelular é reduzida e as células, ricas em lipídios, são denominadas célula adiposas. Ocorre principalmente sob a pele, exercendo funções de reserva de energia, proteção contra choques mecânicos e isolamento térmico. Ocorre também ao redor de alguns órgãos como os rins e o coração.

Tecido conjuntivo reticular

O tecido conjuntivo reticular é constituído por fibras e células reticulares. Tais elementos se dispõem compondo uma delicada trama, que dá suporte a células formadoras de células do sangue.

O tecido reticular pode ser encontrado nos órgãos que têm função hemocitopoética (que forma as células do sangue), representados pela medula óssea vermelha onde recebe o nome de tecido mieloide, e órgãos linfáticos, que são as tonsilas (amígdalas), o timo, o baço e os linfonodos (gânglios linfáticos), onde recebe o nome de tecido linfoide.

Tecido conjuntivo cartilaginoso

O tecido cartilaginoso, ou simplesmente cartilagem, apresenta consistência firme, mais não é rígido como o tecido ósseo. Tem função de sustentação, reveste superfícies articulares facilitando os movimentos e é fundamental para o crescimento de ossos longos.

Nas cartilagens não há nervos nem vasos sanguíneos. A nutrição das células desse tecido é realizada por meio dos vasos sanguíneos do tecido conjuntivo adjacente.

A cartilagem é encontrada no nariz, nos anéis da traqueia e dos brônquios, na orelha externa (pavilhão auditivo), na epiglote e em algumas partes da laringe. No feto, o tecido cartilaginoso é muito abundante, pois o esqueleto é inicialmente formado por esse tecido, que depois é em grande parte substituído pelo tecido ósseo.

Há dois tipos de células nas cartilagens: os condroblastos, que produzem as fibras e a substância fundamental, e os condrócitos, células com baixa atividade metabólica, situadas no interior de lacunas no tecido.

As fibras presentes nesse tecido são as colágenas e as reticulares.

Tecido conjuntivo ósseo

O tecido ósseo tem função de sustentação e ocorre nos ossos do esqueleto dos vertebrados.

É um tecido rígido graças à presença de substância fundamental rica em sais de cálcio, fósforo e magnésio. Além desses elementos, a matriz é rica em fibras colágenas, que fornecem certa flexibilidade ao osso.

Os principais tipos celulares encontrados nesse tecido são os osteoblastos, que produzem a matriz, os osteócitos, que ficam em lacunas na matriz e possuem baixa atividade metabólica, e os osteoclastos, células multinucleadas que participam reabsorção óssea.

Os ossos são órgãos ricos em vasos sanguíneos. Além do tecido ósseo, apresentam outros tipos de tecido: reticular, adiposo, nervoso e cartilaginoso. Por serem uma estrutura inervada e irrigada, os ossos apresentam sensibilidade, alto metabolismo e capacidade de regeneração.

Quando um osso é serrado, percebe-se que ele é formado por duas partes: uma sem cavidades, chamada osso compacto, e outra com muitas cavidades que se comunicam, chamada osso esponjoso.

Essa classificação é de ordem macroscópica, pois quando essas partes são observadas ao microscópio nota-se que ambas são formadas pela mesma estrutura histológica.

Nos adultos, essa estrutura é composta de fibras colágenas dispostas em lamelas paralelas entre si ou em conjuntos de lamelas concêntricas em torno de um canal central ou canal interno (canal de Havers). Cada conjunto de lamelas ósseas concêntricas ao redor desse canal é chamado sistema de Havers.

Os canais de Havers comunicam-se entre si, com a cavidade medular e com a superfície externa do osso por meio de canais transversais ou oblíquos, chamados canais perfurantes (canais de Volkmann). Por esses canais também passam vasos sanguíneos e nervos.

Esquema de corte longitudinal de parte do fêmur, osso longo da perna e esquema da estrutura do osso.
Esquema de corte longitudinal de parte do fêmur, osso longo da perna e esquema da estrutura do osso.

O interior dos ossos é preenchido pela medula óssea, que podem ser de dois tipos: amarela, constituídas por tecidos adiposo, e vermelha, formadora de células do sangue.

Tecido musculares

Os tecidos musculares são de origem mesodérmica e relacionam-se com a locomoção e outros movimentos de corpo, como a contração dos órgãos do tudo digestório, do coração e das artérias.

As células dos tecidos musculares são alongadas e recebem o nome de fibras musculares ou miócitos. São ricas em dois tipos de filamento proteico: os de actina e os de miosina, responsável pela grande capacidade de contração e distensão dessas células.

Quando um músculo é estimulado a se contrair, os filamentos de actina deslizam entre os filamentos de miosina. A célula diminui em tamanho, caracterizando a contração.

Tecido muscular estriado esquelético

É formado por miócitos multinucleados, que possuem, além das estrias longitudinais, estrias transversais, devido à disposição dos filamentos dá a esse tipo de tecido muscular o nome de estriado. Esse tipo de tecido ocorre nos músculos esqueléticos, que são os que apresentam contração voluntárias (que depende da vontade do indivíduo).

squemas e micrografias eletrônicas de transmissão de sarcômero.
squemas e micrografias eletrônicas de transmissão de sarcômero.

A célula muscular estriada apresenta miofibrilas dispostas longitudinalmente no interior da célula. Cada miofibrila corresponde a um conjunto de dois tipos principais de miofilamentos: os de miosina, espessos, e os de actina, finos. Esses miofilamentos estão organizados de tal modo que originam bandas transversais, características das células musculares estriadas, tanto as esqueléticas como as cardíacas.

Os miofilamentos de miosina formam bandas escuras, chamadas anisotrópicas (banda A), e os de actina, bandas claras, chamadas isotrópicas (banda I).

No centro de cada banda I aparece uma linha mais escura, chamada linha Z. O intervalo entre duas linhas Z consecutivas constitui um miômero ou sarcômero e corresponde à unidade contrátil da célula muscular.

No centro de cada banda A existe uma faixa mais clara, chamada banda H, bem visível nas células musculares relaxadas e que vai desaparecendo à medida que a contração muscular ocorre.

Na contração muscular, os miofilamentos não diminuem de tamanho, mas os sarcômeros ficam mais curtos e toda a célula muscular se contrai.

O encurtamento dos sarcômeros ocorre em função do deslizamento dos miofilamentos finos sobre os grossos, havendo maior sobreposição entre eles: a banda I diminui de tamanho, pois os filamentos de actina deslizam sobre os de miosina, penetram na banda A e reduzem a largura da banda H.

Tecido muscular estriado cardíaco

Apresenta miócitos estriados com um ou dois núcleos centrais. Esse tecido ocorre apenas no coração e apresenta contração independente da vontade do individuo (contração involuntária). No músculo cardíaco essa contração é vigorosa e rítmica.

Essas células musculares são menores e ramificadas, intimamente unidas entre si por estruturas especializadas e típicas da musculatura cardíaca: os discos intercalares. Neles existem estruturas de adesão entre células que as mantêm unidas mesmo durante o vigoroso processo de contração da musculatura cardíaca. Existem também canais de passagem de água e íons entre as células, o que facilita a difusão do sinal iônico de uma célula para outra, determinando uma onda rítmica de contração das células.

Esquema de corte longitudinal de musculatura cardíaca (à esquerda) e esquema de musculatura cardíaca (à direita).
Esquema de corte longitudinal de musculatura cardíaca (à esquerda) e esquema de musculatura cardíaca (à direita).

As células musculares cardíacas são capazes de auto-estimulação, não dependendo de um estímulo nervoso para iniciar a contração. As contrações rítmicas do coração são geradas e conduzidas por uma rede de células musculares cardíacas modificadas que se localizam logo abaixo do endocárdio, tecido reveste internamente o coração.

Existem numerosas terminações nervosas no coração, mas o sistema nervoso atua apenas regulando o ritmo cardíaco às necessidades do organismo.

Tecido muscular liso ou não-estriado

Apresenta miócitos mononucleados e somente com estrias longitudinais, motivo pelo qual são chamados miócitos lisos. Nessas células a contração é involuntária e lenta. Ocorre nas artérias, sendo responsável por sua contração; ocorre também no esôfago, no estômago e nos intestinos, sendo responsável pelo peristaltismo (ou peristalse) nesses órgãos. Os movimentos peristálticos são contrações em ondas que deslocam o material alimentar dentro desses órgãos do sistema digestório.

Esquema da estrutura da musculatura lisa.
Esquema da estrutura da musculatura lisa.

Tecido nervoso

O tecido nervoso tem origem ectodérmica e forma um dos sistemas responsáveis pela coordenação das funções dos diferentes órgãos: o sistema nervoso ou sistema neural.

No tecido nervoso a substância intercelular praticamente não existe. Os principais componentes celulares são os neurônios e as células da glia.

As células da glia ou neuróglia são vários tipos celulares relacionados com a sustentação e a nutrição dos neurônios, com a produção de mielina e com a fagocitose.

Os neurônios, ou células nervosas, têm a propriedade de receber e transmitir estímulos nervosos, permitindo ao organismo responder a alterações do meio. São células formadas por um corpo celular ou pericário, de onde partem dois tipos de prolongamento: dendritos e axônio.

Os dendritos são prolongamentos ramificados da célula especializados em receber estímulos, que também podem ser recebidos pelo corpo celular. O impulso nervoso é sempre transmitido no sentido dendrito ➝ corpo celular ➝ axônio.

O axônio é uma expansão celular fina, alongada e de diâmetro constante, com ramificações em sua porção final. E uma estrutura especializada na transmissão de impulsos nervosos para outros neurônios ou para outros tipos celulares, como as células de órgãos efetores (musculares e glandulares).

A membrana de um neurônio em repouso apresenta-se com carga elétrica positiva do lado externo (voltado para fora da célula) e negativa do lado interno (em contato com o citoplasma da célula). Quando essa membrana se encontra em tal situação, diz-se que está polarizada. Essa diferença de cargas elétricas é mantida pela bomba de sódio e potássio. Assim separadas, as cargas elétricas estabelecem uma energia elétrica potencial através da membrana: o potencial de membrana ou potencial de repouso (diferença entre as cargas elétricas através da membrana).

Quando um estímulo químico, mecânico ou elétrico chega ao neurônio, pode ocorrer alteração da permeabilidade da membrana, permitindo grande entrada de sódio na célula e pequena saída de potássio dela. Com isso, ocorre uma inversão das cargas ao redor dessa membrana, que fica despolarizada gerando um potencial de ação. Essa despolarização propaga-se pelo neurônio caracterizando o impulso nervoso.

Imediatamente após a passagem do impulso, a membrana sofre repolarização, recuperando seu estado de repouso, e a transmissão do impulso cessa.

O estímulo que gera o impulso nervoso deve ser forte o suficiente, acima de determinado valor crítico, que varia entre os diferentes tipos de neurônios, para induzir a despolarização que transforma o potencial de repouso em potencial de ação. Esse é o estímulo limiar. Abaixo desse valor o estímulo só provoca alterações locais na membrana, que logo cessam e não desencadeiam o impulso nervoso.

Qualquer estímulo acima do limiar gera o mesmo potencial de ação que é transmitido ao longo do neurônio. Assim, não existe variação de intensidade de um impulso nervoso em função do aumento do estímulo; o neurônio obedece ã regra do “tudo ou nada”.

Dessa forma, a intensidade das sensações vai depender do número de neurônios despolarizados e da frequência de impulsos. Imagine uma queimadura no dedo. Quanto maior a área queimada, maior a dor, pois mais receptores serão estimulados e mais neurônios serão despolarizados.

A transmissão do impulso nervoso de um neurônio a outro ou às células de órgãos efetores é realizada por meio de uma região de ligação especializada denominada sinapse.

O tipo mais comum de sinapse é a química, em que as membranas das duas células ficam separadas por um espaço chamado fenda sináptica.

Na porção terminal do axônio, o impulso nervoso proporciona a liberação de vesículas que contêm mediadores químicos, denominados neurotransmissores. Os mais comuns são acetilcolina e adrenalina.

Esses neurotransmissores caem na fenda sináptica e dão origem ao impulso nervoso na célula seguinte. Logo a seguir, os neurotransmissores que estão na fenda sináptica são degradados por enzimas específicas, cessando seus efeitos.

Todos os axônios das células nervosas apresentam-se envoltos por dobras únicas ou múltiplas de células especiais da glia. O conjunto formado por axônio e envoltório é denominado neurofibra ou fibra nervosa.

As dobras envoltórias do axônio podem derivar de um tipo de neuróglia denominado oligodendrócito ou das células de Schwann, um tipo especial de oligodendrócito.

Os axônios envoltos por uma única dobra são denominados fibras nervosas amielínicas. Nessas fibras, as células envoltórias unem-se formando uma estrutura contínua, sem interrupções.

Quando a célula envoltória apresenta várias dobras enroladas em espiral ao redor do axônio, fala-se em fibra nervosa mielínica. A bainha formada pelo conjunto das dobras envoltórias é denominada estrato mielínico (bainha de mielina). O estrato mielínico não é contínuo, sendo interrompido pelos nós neurofibrosos ou nódulos de Ranvier.

A transmissão dos impulsos nervosos é mais rápida nas fibras mielínicas do que nas amielínicas.

No sistema nervoso, verifica-se que os neurônios dispõem-se diferenciadamente de modo a dar origem a duas regiões com coloração distinta entre si e que podem ser notadas macroscopicamente: a substância cinzenta, onde estão os corpos celulares, e a substância branca, onde estão os axônios. No encéfalo (com exceção do bulbo) a substância cinzenta está localizada externamente em relação à substância branca, e na medula espinhal e no bulbo ocorre o inverso. Os nervos são conjuntos de fibras nervosas organizadas em feixes, unidos por tecido conjuntivo denso.