A história da Administração é recente. Ela se desenvolveu com impressionante lentidão, e somente a partir do século XX teve notável pujança e inovação. Nos tempos atuais, a sociedade típica dos países desenvolvidos é uma sociedade pluralista de organizações, na qual a maior parte das obrigações sociais (como a produção de bens ou serviços) e confiada a organizações (como indústrias, universidades e escolas, hospitais, comércio, comunicações, serviços públicos etc.) que precisam ser administradas para serem eficientes e eficazes. Nos idos do século XIX, a sociedade era diferente.

As organizações eram poucas e pequenas: predominavam pequenas oficinas, artesões independentes, pequenas escolas profissionais autônomos – como médicos, advogados e artistas que trabalhavam por conta própria – o lavrador, o armazém da esquina etc. Embora o trabalho sempre tenha existido na história da humanidade, as  organizações e sua administração formam um capítulo recente.

Influência dos Filósofos

A Administração recebeu influência da filosofia desde os tempos da Antiguidade. Sócrates (470) a.C. -399 a.C) expõe seu ponto de vista sobre a Administração como uma habilidade pessoal separada do conhecimento técnico e da experiência. Platão (429 a.C.-347 a.C.), filósofo grego, discípulo de Sócrates, expõe em sua obra A república a forma democrática de administração dos negócios públicos. Aristóteles (384 a.C. -322 a.C.), discípulo de Platão, deu o impulso inicial à Filosofia, Cosmologia, Nosologia, Metafísica. Lógica e Ciências Naturais abrindo as perspectivas do conhecimento humano.

No período da Antiguidade até o inicio da Idade Moderna, A filosofia desprendeu-se dos problemas administrativos. Com Francis Bacon (1596 – 1626), filósofo e fundador da Lógica Moderna baseada no método experimental e indutivo, surge à preocupação de separar o essencial do acidental ou acessório. O discurso do Método no qual descreve seu método filosófico denominado cartesiano, cujo princípio são:

  1. Princípio da dúvida sistemática ou evidência. Consiste em não aceitar nada como verdadeiro enquanto não se souber com evidência – clara e distintamente – aquilo que é realmente verdadeiro.
  2. Princípio da análise ou de decomposição. Consiste em dividir cada problema em tantas partes quantas sejam possíveis e necessárias à sua adequação e solução, e resolvê-las cada uma separadamente.
  3. Princípio da síntese ou da composição. Consiste em conduzir de maneira ordenada o pensamento e o raciocínio, começando pelos assuntos mais fáceis de se conhecer para passar gradualmente aos mais difíceis.
  4. Princípio a enumeração ou da verificação. Consiste em verificar, rever e recontar para que se fique seguro de nada haver omitido.

O método cartesiano teve profunda influência na Administração do século XX.

Com a Filosofia Moderna, o campo de estudo filosófico se afasta dos problemas organizacionais e a Administração deixa de receber contribuições e influências.

Influência da Igreja Católica

Ao longo dos séculos, os princípios de administração pública passaram das instituições dos Estados (Atenas, Roma etc) para as instituições da Igreja Católica e da organização militar. Ao longo do tempo, a Igreja Católica estruturou sua organização em uma hierarquia de autoridade, estado-maior (assessoria) e coordenação funcional para assegurar integração. A organização hierárquica da Igreja é simples e eficiente e sua organização mundial pode operar sob o comando de uma só cabeça executiva: o Papa, cuja autoridade coordenadora lhe foi delegada por uma divina superior. A organização eclesiástica serviu de modelo para as organizações ávidas de experiências bem-sucedidas que passaram a incorporar os princípios utilizados pela Igreja Católica.

Influência da Organização Militar

A organização militar influenciou as teorias da Administração. Há 2.500 anos, Sun Tzu, general e filósofo chinês, escreveu um livro sobre a arte da guerra no qual trata da preparação dos planos, da guerra, da espada, das manobras, das táticas, do exército em marcha, do terreno, dos pontos fortes e fracos do inimigo e da organização do exército.

A organização linear originou-se da organização militar dos exércitos da época medieval.O princípio da unidade de comando (cada subordinado só pode ter um superior) é o núcleo da organização militar. A escala hierárquica – os vários níveis hierárquicos de comando com autoridade e responsabilidade – é típica da organização militar. Quando o volume de operações militares aumentou, cresceu a necessidade de delegar autoridade para níveis mais baixo da organização militar. O comando das operações exigiu centralização do comando e descentralização da execução.

A organização militar utiliza o princípio de direção, segundo o qual todo soldado deve saber o que se espera dele e aquilo que deve fazer. A disciplina é o requisito básico da organização militar.

Influência da Revolução Industrial

A invenção da máquina a vapor por James Watt (1736 – 1819) e sua aplicação à produção levou a uma nova concepção de trabalho responsável por mudar a estrutura social e comercial da época e provocar a Revolução Industrial, com transformações de ordem econômica, política e social, maiores do que todas as mudanças ocorridas no milênio anterior em um lapso de um século. A Revolução Industrial teve inicio na Inglaterra e é dividida em duas épocas distintas:

  • 1780 a 1860: Primeira Revolução Industrial ou revolução do carvão e do ferro.
  • 1860 a 1914: Segunda Revolução Industrial ou do aço e da eletricidade.

 A Primeira Revolução Industrial passou por quatro fases

  1. Mecanização da indústria e da agricultura. A máquina de fiar, o tear hidráulico, o tear mecânico e o descaroçador de algodão substituíram o trabalho muscular do homem, do animal ou da roda da água. Eram enormes máquinas com incrível superioridade sobre os processos manuais de produção da época. O descaroçador de algodão fazia mil fibras de algodão no mesmo tempo em que um escravo conseguia cinco libras.
  2. Aplicação da força motriz à indústria. A aplicação do vapor às máquinas transforma as oficinas em fábricas.
  3. Desenvolvimento do sistema fabril. O artesão e sua pequena oficina patronal cederam lugar ao operário e às fabricas e usinas baseadas na divisão do trabalho. Massas humanas migram das áreas agrícolas para as proximidades das fabricas provocando a urbanização.
  4. Espetacular aceleramento dos transportes e das comunicações. Navegação a vapor, estradas de ferro e novos meio de transporte e de comunicação surgem com impressionante rapidez. O telégrafo elétrico, o selo postal e o telefone impelem o forte desenvolvimento econômico, social, tecnológico e industrial, e as profundas transformações que viriam a seguir.

A Segunda Revolução Industrial

Começa em torno de 1860, provocada por três eventos: o processo de fabricação do aço (1856), o dínamo (1873) e o motor de combustão interna (1873). As características da Segunda Revolução industrial são:

  • Substituição do ferro pelo aço como material industrial básico.
  • Substituição do vapor pela eletricidade e petróleo como fonte de energia.
  • Desenvolvimento de máquinas automáticas e especialização do operário.
  • Crescente domínio da indústria pela ciência.
  • Transformação nos transportes e nas comunicações. As vias férreas são ampliada. Em 1880, Daimler e Benz produzem automóveis. Dunlop aperfeiçoa o pneumático e Henry Ford produz o modelo “T” em 1908. Em 1906, Santos Dumont faz sua experiência com o avião.
  • Novas formas de organização capitalista. O capitalismo industrial cedeu lugar ao capitalismo financeiro, que tem quatro características principais:
    • Dominação da indústria por inversões de bancos e instituições financeiras, como na formação da Unirted States Steel Corporation, em 1901, pela J.P. Morgan & Co.
    • Acumulação de capital, fusões de empresas e formação de trustes.
    • Separação entre a propriedade particular e a direção das empresas.
    • Aparecimento das holding companies para integrar os negócios.
  • Expansão da industrialização desde a Europa até o Extremo Oriente.

O aparecimento das fábricas e indústras

O artesanato – em que os operários se organizavam em corporações de ofício regidas por estatutos – foi substituído pela produção por meio de máquinas dentro das fábricas. Ocorreu uma transformação provocada por dois aspectos:

  1. Transferência da habilidade do artesão para a máquina, que produz custos de produção.
  2. Substituição da força do animal ou músculo humano pela máquina a vapor e depois pelo motor, permitindo maior produção e economia.

A organização moderna nasceu com a Revolução Industrial devido:

  • À ruptura das estruturas corporativas da idade média.
  • Ao avanço tecnológico e à aplicação dos progressos científicos à produção, à descoberta de novas formas de energia e à enorme ampliação de mercados.
  • À substituição do tipo artesanal por um tipo industrial de produção.

Influência dos Economistas Liberais

A partir do século XVII surgiram teorias econômicas centradas na explicação dos fenômenos empresariais (microeconômicos) e baseados em dados empíricos, na experiência cotidiana e em tradições do comércio da época.

As ideias básicas dos economistas clássicos liberais constituem os germes do pensamento administrativo. Adam Smith (1723 – 1790) é o fundador da economia clássica, cuja ideia central é a competição. O princípio da especialização e da divisão do trabalho apareceu em seu livro A Riqueza das Nações, publicado em 1776. Para  Adam Smith a origem da riqueza das nações reside na divisão do trabalho e na especialização das tarefas preconizando o estudo dos tempos e movimento que, mais tarde, Taylor e Gilbreth iriam desenvolver como a base da Administração cientifica. Adam Smith reforçou a importância do planejamento e da organização dentro das funções da Administração.

Karl Mark (1818 – 1883) e Friedrich Engel (1820 – 1896), criadores do socialismo cientifico e do materialismo histórico, publicam e, 1848 o manifesto Comunista, no qual analisam os regimes econômicos e sociais e a sociedade capitalista.

O socialismo e o sindicalismo obrigam o capitalismo do inicio do século XX a enveredar pelo aperfeiçoamento dos fatores de produção envolvidos e sua adequada remuneração. Nessa situação, surgem os primeiros esforços nas empresas capitalistas para implantar métodos e processos de racionalização do trabalho, cujo estudo metódico coincide com o inicio do século XX.

Influência dos pioneiros e empreendedores

O século XIX assistiu a um monumental desfile de inovações e mudanças no cenário empresarial. O mundo estava mudando. E as empresas também. As condições para o aparecimento da teoria administrativa estavam se consolidando.

Em torno de 1820, o maior negócio empresarial privado eram as estradas de ferro, que impulsionaram as ações de investimentos e o ramo de seguros, e também provocaram o fenômeno da urbanização, o qual criou necessidades de habitação, alimentação, roupa, luz e aquecimento e o crescimento de empresas focadas n consumo.

Em 1871, a Inglaterra era a maior potência econômica mundial. Os “criadores de impérios” integravam concorrentes, fornecedores e distribuidores e, junto com as empresas e instalações, vinham também os antigos donos e empregados. Surgiram os primitivos impérios industriais que se tornaram grandes demais para serem dirigidos pelos pequenos grupos familiares. Logo apareceram os gerentes profissionais, os primeiros organizadores preocupados mais com a fabrica do que com as vendas ou compras.

Na década de 1880, surgem empresas com organizações próprias de vendas e vendedores treinados, dando inicio ao “marketing” de hoje, com a organização do tipo funcional que seria adotada pelas demais empresas, a saber:

  • Departamento de produção para cuidar da manufatura de fábrica isoladas.
  • Departamento de vendas e escritórios distritais com vendedores.
  • Departamento técnico de engenharia para desenvolver produtos.
  • Departamento financeiro.

No inicio do século XX, grandes corporações sucumbiram financeiramente. Dirigir grandes empresas deixou de ser uma habilidade pessoal. Estavam criadas as condições para o aparecimento dos organizadores que substituiriam os capitães das indústrias – pioneiros e empreendedores. Chegou à era da competição e da concorrência como decorrência de fatores como:

  • Desenvolvimento tecnológico.
  • Livre comércio
  • Mudança dos mercados vendedores para mercados compradores
  • Aumento da capacidade de investimento de capital
  • Rapidez do ritmo de mudança tecnológica que reduz custos de produção
  • Crescimento dos negócios.

Esses fatores proporcionaram a melhoria da prática empresarial e o surgimento da Teoria Administrativa.

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